A Cher Latina

romoHá alguns anos, o produtor Luis de Llano a batizou como a Cher latina. Talvez por causa do cabelo longo, ou porque ambas triunfaram na música e na atuação. O que se sabe é que ambas são ícones da comunidade gay. Para Daniela Romo essa comparação só provoca risadas: “Imagina! Eu nem depilo as sobrancelhas, também não fiz nenhuma cirurgia plástica e não penso em fazer…”

Se Cher é uma camaleoa vanguardista, Daniela é conservadora e nostálgica. Tremendamente preocupada com sua comodidade e naturalidade, a cantora mexicana declarou guerra a quase tudo o que é moderno e a tudo que implique na mudança de sua essência. Os computadores, as cirurgias plásticas e os cortes de cabelo complicados… isso simplesmente não combina com ela.

“Imprimo tudo, leio tudo e respondo à mão. Não poderia jamais perder minha caneta, nem meu lápis com sua ponta bem apontada, nem sua madeira, ou o cheiro da minha tinta, ou o meu papel, nem da minha borracha, ou de jogar uma folha fora e voltar a escrever”, disse Daniela referindo-se a maneira que escreve suas cartas aos seus fãs, à seus amigos e como compõe suas canções.

DaniAutografo01Confissões:

Quando estou compondo, as vezes durmo com o lápis e o papel na mão. De repente estou sonhando ou pensando algo, desperto… e volto a escrever. Doei o meu computador. Eu tinha um Mac maravilhoso, mas estive a ponto de me suicidar com aquele aparato. Comprava coisas para o computador e nem sabia como usá-las.

Por que te comparavam com a Cher?

A ideia veio do Luis de Llano. E eu dizia para ele: “Mas, o que eu tenho haver com a Cher? Acho que era a minha figura… quando eu era muito jovenzinha eu a imitava… mas isso não tem nada a ver. Imagina! Eu nem depilo as sobrancelhas, também não fiz nenhuma cirurgia plástica e não penso em fazer…”

O que você acha dela?

Gosto da sua música e da sua personalidade e tudo… além disso, ela me fascina como atriz.

Essa comparação não seria porque vocês duas cantam e atuam?

Não, o próprio Luis de Llano me disse uma vez: “Você é como Cher”, isso porque eu fazia programas de entrevistas e ele queria que eu fizesse algo como Sony and Cher. Enfim, eu não vejo semelhança…

Bom, nunca te vimos usar fios dentais nos cenários como ele usava…

Não! Imagina! Eu, assim? Como posso usar aquilo? Seria horrível (risos). Mas para isso também há que se ter talento. As mulheres de “corpão” trabalharam muito para tê-lo… Bom, eu nunca usei e espero que nunca precise usar.

Talvez alguma operação?

Não! Give me a break!

Nunca pensou em fazer uma cirurgia plástica?

O meu rosto… a minha cara é o meu mapa pessoal. Minhas rugas, as pegadas que deixei na vida são o que eu chorei, o que eu ri, o que eu vivi. O espelho é o espelho e eu quero ser uma velhinha digna. Quero me ver com as marcas do meu mapa. Com os traços que fiz na minha vida. Quando eu ver meu mapa, quero reconhecê-lo e me reconhecer nele. Além disso, creio que nós temos que viver todas as etapas da vida.

Você diz isso porque está muito bem, está bonita…

Não, de verdade… quero viver todas as etapas. Claro que vou cuidar de mim e tratar de ficar bonita, mas sem mudar-me. Se eu chegar a velhice, quero me ver com gosto. Como diz a canção de Serrat: “A verdade nunca é triste, o que ela não tem é remédio.’ Ser mais velha… chegar aos 78 anos com o rosto sem rugas não seria o mesmo.

Lí que quando você era mais jovem, tinha certos complexos…

Bom, quando eu era jovem, por exemplo, era muito magra. Não tinha peitos (no boobs!) Então, ficava complexada porque todas usavam sutiãs e eu andava da camiseta. Ou então, conhecia uns homens que de repente me diziam: “O que mais se pode gostar em uma mulher são seus pés lindos” Meus pés parecem lanchas, são enormes. O que passava era que eu era diferente das demais… Ou então, falavam da minha boca grande. Chegaram a me convencer que eu deveria pintar a boca. Agora, hoje em dia eu digo… sim, a tenho deste tamanho, e daí!? Além do mais, está na moda…

Ao contrário do que muitos podem passar, o famoso look de Daniela Romo não foi algo planejado. Ele nasceu desse temperamento prático que a caracteriza. “Quando eu era criança, eu sempre tive o cabelo curto. Muitas pessoas pensam que quando era menina me faziam tranças enormes, e não… Minha mãe era mãe solteira, com duas filhas e um trabalho. Não tinha tempo para isso. Assim quando era pequena, o cabelo curto era mais cômodo. Agora, adulta, é mais fácil ter cabelo grande.. Eu tenho o cabelo grande porque uma vez fiz um corte repicado (como o da Farrah Faucett). Quando saí do salão estava lindíssimo, mas quando lavei meu cabelo no dia seguinte… Nunca aprendi a usar o secador. O meu caso com o secador é o mesmo que tive com o computador.. Quando usava o secador eu queimava meus cabelos, e eu ficava com algumas falhas (no coro cabeludo).

Então, você passou a usar esse look por costume?

Ah não, esse look passou a ser uma obrigação. Mas também não mudei o meu look porque não gosto da ideia. Eu cresci em uma época em que as artistas clássicas tinham a mesma imagem para sempre. Eu creio que tenho o mérito de ter 33 anos de carreira sem mudar o look… aliás, . o cabelo me ajuda a ser camaleônica, eu sou atriz! Por ter esse cabelo, me escolheram para fazer um filme mexicano. Me escolheram sem me conhecer, eu tinha o look perfeito.

O que você acha da palavra “Diva”?

Para mim as “divas” eram as de antes, Eu nunca me auto-adjetivei dessa forma. De fato quando estou fazendo algum show e me perguntam como querem que me apresentam, eu digo: “Simplesmente: Com vocês, Daniela Romo”. Não me coloquem nenhum adjetivo, eu suplico!

Mesmo que te considerem diva, está consciente que é um ícone da comunidade gay?

Já fui em shows de travestis e vi como me imitam. Inclusive, uma vez contratei um para abrir o meu show. Eu gostei. É fantástico poder alcançar os corações de todas as diversidades, de todas as idades e todos os pensamentos.

Alguma vez, você viu alguma imitação e pensou: “Caramba, eu faço isso?”

Não, mas.. bem, eu digo: “Eu não faço isso!!”. Porque logo saem e se vestem de uma maneira… e você pensa: “Eu nunca usei nada assim”. Dá no mesmo, o importante é a intenção e cada um tem sua interpretação sobre mim Ou seja, eu não me vejo como me veem os demais. Apesar que algumas vezes, eu me surpreendo e penso: “Eu sou assim? Nunca havia desconfiado, what the heck! Ou seja, agora tenho que corrigir.”

Então, isso já aconteceu?

Sim, quando você se dá conta, você diz… “Eu faço isso?” Ou seja, disgusting!

Você gosta de se ver na televisão?

Nunca gostei, porque eu mesma me dava insegurança. Mas isso mudou quando trabalhei com a Monica Miguel, ela nos dizia: “Vocês tem que ver seu capítulo e precisam ver o que fizeram porque amanhã temos outro dia de trabalho. E amanhã quero saber se estão de acordo ou se não estão de acordo com o que fizeram consigo mesmos” Então aprendi a ver as minhas novelas de uma maneira mais objetiva. Não a ver os meus defeitos físicos, nem de linguagem ou gestos. Mas o que importava para o personagem.

Fez algo de improvisação em Alborada?

Não, nessa não. Apesar que em uma cena, jogaram água em mim e escapou uma “nudez” e assim tiveram que editar. Me sequei toda e voltei ao cenário para fazer tudo novamente, para a mesma cena. Gosto que seja assim. É muito melhor ter um roteiro para seguir e não me atrevo a mudar. Além disso, há que se respeitar o escritor e o trabalho que ele faz. Escrever novelas é dificílimo. Já fiz isso uma vez. Não gostei dos trabalhos de improvisação que fiz, você perde a linha do personagem..

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