Uma mulher que vai contra a corrente

f4Entrevista de 1999, Editorial Siempre.

Muitos dizem que Daniela Romo é uma cantora diferente porque… O quê você acha? Quem é Daniela Romo?

É uma mulher mexicana que nasceu para buscar coisas novas, com uma enorme vontade de aprender sobre a vida e sobre os demais. Quero ir caminhando e aprender, de alguma maneira… é o que me faz pensar. Nós, mulheres mexicanas, precisamos trabalhar muito para sobreviver. Muitas das grandes mulheres do México não tiveram seus nomes escritos na história e não sei o porque disso, já que há uma infinidade de mulheres que ajudaram esse país crescer e seguem ajudando.

Por quê e para quem você canta?

Canto porque a minha sensibilidade pede e porque o México é um país de artistas e de grandes autores. México é o meu lugar de origem, onde vivo e de onde recebi minha maior influência, é a origem de tudo o que sou. Suas paisagens, poesias, escritores, pintores, me nutro de tudo isso.

Existe algum livro que marcou a sua existência?

São muitos, agora, por exemplo, estou um pouco elenaponiatoskada (referência à jornalista mexicana, Poniatowska Amor). Eu li os seus últimos quatro livros, aqueles que dedicou à Octavio Paz, a Alvaro Mutis, a Juan Sorianoe ao Paseo de la Reforma. Também estou interessada em ler sobre Dalai Lama, estou lendo Damas de Corazón, história de mulheres mexicanas de uma época que não vivi (anos 40), mas da qual tive muita referência que veio por parte da minha família. Sou apaixonada por histórias dessa época, por isso aceitei a fazer a novela “Si Dios me Quita la vida”, me senti realizada porque através desse papel pude encarnar as mulheres que sempre admirei.

Você teria gostado de nascer em outra época?

Estou feliz com o momento que nasci, não sei como viveria em outra época, mas estou feliz vivendo no momento em que vivo.

thComo foram os seus inícios profissionais? Com quem aprendeu?

Meus professores foram os filmes, mexicanos e estrangeiros e entre as grandes figuras estavam Rocio Durcal, que por igual admirei e admiro Silvia Pinal, María Teresa Rivas, Amparo Rivelles, Marga López e Blanca Estela Pavón. Eu me perguntava, “porque eu não tive a sorte de fazer um filme desses com Pedro Infante”?

Iniciei minha carreira com os Hermanos Zavala, eu era muito pequena. Com eles fiz a minha primeira obra de teatro, uma comédia musical chamada Contigo, pan y cebolla. Foi uma experiência que me envenenou, depois de subir nos palcos, nunca mais quis descer e olha que eu sofro… quero dizer, fico nervosa antes de começar uma apresentação, mas penso: “É um prazer imenso, meu Deus, não quero fazer nada além disso na vida, me permita fazer isso por toda a minha vida!”

Em que momento Daniela nasce profissionalmente?

Tive o privilégio de fazer rádio, televisão, cinema, teatro e cds… mas eu acredito em destino e esse era o meu destino, o que me fortaleceu como ser humano e como artista foi o Teatro Blanquita, uma maravilha! Pisar nesse cenário… para mim foi como “ Estou louca!”

Debutei e de repente… as pessoas foram me ver! Entre elas estavam María Félix, Juan José Arreola, Pita Amor. E eu disse: “Não, não posso estar vivendo isso!! Isso não pode estar acontecendo comigo!” Parecia um sonho! E o Teatro Blanquita é o Bellas Artes do povoado… é, a prova de fogo de todo cantor!

O que falou mais alto em você primeiro, a cantora ou a atriz?

A artista, porque estou consciente de que essa é uma palavra muito ambiciosa e sei que não sou uma artista completa. Mas, primeiro o que nasceu em mim foi uma inquietação para me expressar. Eu fui uma menina muito tímida, eu mesmo inventava meu teatro e colocava as minhas bonecas no “palco” e produzia minhas obras onde cantava e dançava. Minha irmã, por exemplo, me cedia seu domingo para assistir minhas peças, para me aplaudir e isso fazia com que eu me sentisse bem comigo mesma…

Qual é o seu cd preferido?

É um cd que fiz com Bebú Silvetti, chamado La cita. Foi muito difícil fazê-lo porque ganhei os direitos autorais de interpretar autores importantes e foi um importante passo para o meu crescimento como interprete. Às vezes canto minhas canções loucas porque elas são parte de mim e porque quero levar alegria às pessoas e não apenas compartilhar o meu lado nostálgico.

Está de acordo com o que dizem os críticos sobre os seus projetos internacionais com o disco Menth (2)tiras?

Sim, porque tive uma experiência de “trânsito”, foi a minha primeira oportunidade internacional, já que o disco veio da Espanha para cá. Fiz um disco produzido por Lolita de la Colina, mas este não teve nenhuma repercussão. Acho que a minha mãe tem um desses exemplares e eu tenho outro e apenas quatro pessoas se lembram desse disco… Então, vivi um ano na Espanha e lá me relacionei com a música de outra maneira. Foi um verdadeiro casamento. Na Espanha me promoveram em muitos lugares da Europa e com muito êxito, passei a ser conhecida na América Central e América do Sul, foi uma maravilha!

Com quem você gostaria de cantar?

Com as pessoas que vão aos meus espetáculos, o público que canta comigo é precioso. Tive o enorme privilegio de cantar com muitos companheiros que me deram o prazer de compartilhar seu talento, entre eles cito: Plácido Domingo, Mijares, Eugenia León, Rocío Durcal – o sonho da minha vida!-, Joan Manuel Serrat, Johny Ventura, Simone, Miguel Bosé, José Luis Perales, Juan Gabriel…

Como se sentia no teatro?

O teatro é a mãe do espetáculo e para mim foi muito belo ser iniciada no teatro porque você aprende estudar e a ter disciplina. Tive a sorte de trabalhar com grandes diretores, lembro que a peça “El diluvio que viene”, foi uma das minhas grandes experiências. Fiz teatro clássico, de Euripdes, no Festival Cervantino. Repito, a disciplina que se exige de um artista se consegue no teatro. Essa foi a minha melhor escola e um dos meus grandes amores.

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