Está em suas mãos!

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Daniela Romo foi vítima do câncer de mama, o qual venceu com disciplina e confiança. No Dia Mundial contra o Câncer de Mama, o Publimetro entrevistou a atriz, que se reencontrou consigo mesma e deixou as máscaras para trás. Ela se pronunciou por uma cultura que defende a detecção antecipada.

Como detectaram o seu tumor?
Todo ano vou ao médico fazer exame de mama, o ultrassom e o Papanicolau. É como se fosse um presente de aniversário, um presente de vida. Descobriram o tumor na última revisão que fiz (e que posterguei até o dia 31 de outubro de 2011). Detectaram um tumor triple negativo, o mais forte e mortal. Sim, foi forte, mas a detecção antecipada me ajudou e eles conseguiram tirar o tumor a tempo. Por sorte, consegui salvar o meu seio.

O que foi mais doloroso?
O exame de gânglio sentinela; o gânglio guia e indica onde está o ponto do tumor e o que é necessário tirar. Foi o mais doloroso que vivi em toda a minha vida e eu tenho uma resistência para dor altíssima. É medicina nuclear, te injetam um material espesso e metálico em seu mamilo, é como o mercúrio dos termómetros. A injeção não dói, o que dói é o material passando pelo seu corpo. Depois disso eu disse: “Que venha o resto!”. Localizaram o tumor, me anestesiaram e me operaram. Tiraram o gânglio e o tumor saiu inteiro, por sorte eu não estava contaminada em nenhuma outra parte. Mas como era triple negativo, tive que fazer quimioterapia e radioterapia.

O que foi mais difícil para você, ao enfrentar esse processo?
Entrar em um mundo desconhecido. É uma linguagem direta, dura, nem beijo te dão. Os oncologistas economizam na ternura e na afetividade e te dizem as coisas como são. Te dizem: “Você tem câncer” e você responde… “Não, sou virgem” (risos). Você fica um pouco bloqueada e é um difícil processo emocional e mental para assimilar.

O mês do câncer se tornou um evento?
Sim.. há mensagens por todo o lado que convidam as pessoas a fazerem exames, há o laço rosa… Mas, ainda falta consciência sobre o tema. É parte da educação, precisam trabalhar isso em casa, nas escolas. Um bom costume que devemos adquirir é levar as meninas ao ginecologista desde da primeira menstruação, os homens também precisam se tocar… o câncer no testículo também é perigoso.

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O que ainda falta para informar as pessoas?
É preciso trabalhar na detecção, tantos os homens quanto as mulheres precisam conhecer os seus corpos e se afastar da ignorância e do medo. Já escutei pessoas dizendo: “Vai mostrar os seios para esses doutorzinhos que não sabem de nada?” Ou “Vão dizer que tenho algo, então é melhor nem ir…’

Como você reagiu à notícia de que tinha câncer?
Me senti vazia… não senti nada de bonito, nem de feio. Me disse: “concentre-se” e passou por minha mente: “eu tenho que sair disso, eu vou viver!” O primeiro medo que tive foi por minha mãe, que vai fazer 88 anos, e pensei: “ela vai enfartar! Ela não pode saber” Não chorei, nem me senti mal e fiz questão de dizer a todos: “Não fiquem preocupados!” Psicologicamente você começa a consolar todos que choram por você.

Como você enfrentou a doença publicamente? Isso te preocupava?
Não, no primeiro momento, não estava preocupada com o meu entorno. A primeira vez que chorei foi quando Pedro Armendáriz morreu de câncer. Pensei: Se uma pessoa como ele pode morrer… Foi depois de três meses que iniciei o meu processo e quando estava fazendo quimioterapias, quando te envenenam o corpo. Tive muitos privilégios e um deles foi salvar o meio seio, tive um médico que me deu segurança – o que é muito recomendável. E a Televisa me apoiou, me deu tempo apara lutar contra a doença. Deixei vários projetos pendentes, um deles foi um disco.

Sua vida cotidiana mudou?
A maior diferença foi a comida, porque você perde o sabor… tudo parece metal, prego. Aprendi a comer com os olhos. Você sente náuseas. Às vezes eu chorava porque era horrível. Um dia me viram chorando… mas eu estava chorando porque a comida voltou a ser gostosa… Você vê a vida e se pergunta: “É verdade que somos assim?’ Nos queixamos de tudo, a paisagem é agressiva, e não apreciamos nem uma coisa boa do dia… e pronto, a vida vem e te diz: não fique tão concentrada nas idiotices do universo…

Os seus prazeres mudaram?
Tive a oportunidade de me livrar de tudo o que pensava sobre a doença, que é o exterior…. Nessas horas, o que importa é o que você tem por dentro. Me livrei da máscara que criava para a minha personalidade. A confiança em si mesmo é algo básico e é também parte espiritual. Foi reconfortante me reconhecer sem nenhum disfarce. Com a doença, você é capaz de se ver, de se querer… de saber como você é. É um reencontro com os seus demônios e suas bondades.

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Mensagem:
“Não vou usar peruca. As pessoas olham uma mulher careca e dizem que é uma pobre cancerosa. Devemos lhe oferecer um tapete vermelho e aplaudir as que conseguem passar por esse tapete com sua calvície, porque somos heroínas de guerra, guerra contra os nossos efeitos colaterais. Que as aplaudam ao invés de vê-las com lástima

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