#Entrevista- A Indiferença é o grande Mal do Nosso Tempo

Por Mónica Maristain agosto 19, 2015

Cidade do México, 19 de Agosto (sinEmbargo) – La voz del corazón é um novo trabalho discográfico da cantora e atriz Daniela Romo, cantora da balada romântica e das canções “ardidas” com que tem cimentado uma carreira de mais de quatro décadas.

O titulo do CD responde a canção homônima, de autoria da guitarrista Sheila Ríos, uma jovem que integra um sólido e talentoso grupo de autores das novas gerações, com que Romo dispõe a conquistar o mercado, depois de seu regresso com um Cd de êxitos (Para Soñar), depois que superou o câncer de mama que a afetou gravemente no passado recente.

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Sempre escuta a Voz do coração?

-Creio que é a voz que mais devemos escutar. Não faço diferença entre a voz da mente ou do coração, penso que são as mesmas vozes. É uma tradição da vida que se diga que as emoções vêm do coração. É um símbolo, mas a essa voz de dentro tem que dá atenção, porque geralmente tem mais razão que um.

Também às vezes nos engana…

-Sim, tem que aprender. É maravilhoso, assim como o vejo, esses autoenganos também constituem uma bela experiência.

O novo CD honra a balada romântica, onde tem sido sempre fiel.

-Antes se faziam às coisas de uma maneira diferente e estou em um processo de reaprendizagem. Tudo é moderno e tecnológico agora. Porém estou me adaptando, porque na realidade sou e com muita honra analfabeta do século XXI. Antes buscava as canções entre os autores e os conheciam. Depois de várias conversas te davam um tema. Agora, é curioso, quase todos os autores do meu CD são muito jovens e não os conheço pessoalmente quase nenhum. A Leonel Garcia e Giammarco os vi uma vez na minha vida, porém sempre admirei o seu trabalho. Tenho dito que eles com seu talento tem me dado canções maravilhosas. De algum modo eles sabem como podem sonhar as canções através de mim. E gostam.

 Leonel García é um jovem velho, amante da canção desgarrada

-É clássico. O que gosto dele. Me mata quando o ouço cantar, porque me faz recordar quando recém comecei. Era muito jovenzinha e cantava canções de Lolita da Colina, me cortava as veias e me rasgava as vestes. Pela idade a gente esperava que cantasse coisas alegres. Sempre no tango, na periferia. Leonel é muito intenso e me faz recordar quando jovem…

Uma intensidade que todos os desamores se merecem

-(Risos) Efetivamente, são dois ou três, mas finalmente essa intenção me fascina.

Teu amor é mais pausado agora?

-Não sei. A letra “La voz Del Corazón” é de Sheila Ríos, onde a conheci por meus músicos, pelo produtor Memo Gil. Foi convidada para tocar e chamou a atenção, porque é raro ver a uma mulher tocando uma guitarra. Uma noite depois de um Show em Guadalajara me entregou um CD com as suas canções.Eram as três da madrugada e em seguida senti que “La voz Del Corazón era para mim”. É uma belíssima canção.

Tem sofrido muito por amor?

-Já sofri por amor. Às vezes também como dizem nos auto-enganamos e acreditamos que foi amor o que não era. Sofri verdadeiramente, já sei o que é. É verdade que às vezes sentes esse vazio por o que causas ou te causam, mas ao final do dia tem que agradecer as coisas vividas, os amores que tem estado ai e essas pessoas que embora já não estão ao teu lado, sempre formará parte da tua vida. Também é certo que sempre tem rido de mim e nunca me importa nada. De todos os modos, agora me importa muito menos. A vida é muito curta e tem que desfrutá-la. Sou virgem e um pouquinho rígida, um pouco cravada, mas as coisas passam. Tento desfrutar cada momento e cada coisa que me toca fazer.

Como vive os momentos difíceis do México?

-Efetivamente, é um momento muito difícil para o México, é obvio e é evidente. Creio que na parte política, existe uma grande dose de insensibilidade. O maior mal que deixou o mundo do século XX é a indiferença. Tem passado tantas coisas e o ser humano não reage. O fato de ter tido câncer, de livrar de uma batalha tão forte, te recorda de outras batalhas que lutou, outros momentos que sempre valem a pena e devemos retornar.

d4Sinto-me agradecida e honrada de poder fazer a tarefa que faço com a musica, mesclar-me com as emoções dos outros, tentar entende-las. Isso tem facilitado criar pontes, que é o que faz falta. Ouço muitos insultos, muita pobreza no coração humano, pouca humildade e vou tentando de criar pontes para falar das coisas importantes, chorar e rir juntos. A musica é maravilhosa, o ritmo se renovou com o ritmo do coração humano. Nos momentos maus de um país ao que felizmente pertenço, a musica cumpre um papel de engrandecer a cultura que nos identifica, igual que a literatura e o teatro. Esse momento é grave e difícil, mas passará, porque tudo passa, até a ameixa.

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