Discurso na íntegra: Daniela Romo, Outubro Rosa

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Depois do câncer nos aproximamos mais de certas pessoas, apesar de elas sempre estarem próximas. No meu caso isso aconteceu com a Paty Reyes Spindola, nos tivemos uma empatia através da doença. Nos tivemos que passar por esse túnel, esse labirinto da vida e passamos, foi algo muito difícil. Tenham certeza que há mais pessoas nesse projeto ( não só aquelas que se mostraram na sessão de fotos de Pedro Torres, com sua criatividade, há também toda a equipe de produção, os redatores). Mas nós passamos por esse labirinto e sabemos do que se trata, sabemos do que se trata perder um seio, sabemos o que é uma quimioterapia, uma radioterapia, sabemos que tivemos que abrir mão de absolutamente tudo. Um dia nos olhamos no espelho e não vemos nada, já não temos nem cabelo. E não como Pedro Torres, que se vê bonito… as mulheres ficam diferente, sem sobrancelhas, nem cílios, sem outros pelos que tínhamos.

Mas eu quero que se sintam muito felizes. Eu me sinto feliz e honrada por poder compartilhar esse momento com as minhas companheiras, amigas e atrizes que deram seu tempo para essa foto, porque todas nós sabemos criar empatia. Acredito que tudo se trata de dar a mão e criar pontes que sejam duradouras, de vida, amizade, amor, carinho e solidariedade. Nada se aprende melhor do que com a dor. Depois do sofrimento se aprente tudo. Para uma atriz (é difícil) se desprender da beleza, da sua presença, do que pensava que eras, das coisas que ditam vinte diretores de cena para certo papel, e um dia você se olha no espelho e vê que não é mais do que um manequim sem vestido, sem máscara, sem personagem. Não é mais do que uma alma.

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E a alma é o que importa. O que me importa essa noite é que estamos como alma,reunidos para tratar de dar um benefício a muitas mulheres que sofrem na ignorância, que não sabem a quem procurar ajuda. Em mulheres que sofrem, as vezes por maltratos de homens que dizem: “Claro! Você vai ao médico para mostrar as pernas para o doutor”, que as negam socorro e depois as abandonam já que não possuem mais um seio ou dois. Hoje esamos falando do câncer de mam, que é um câncer recorrente, que além disso… está no genes de todos. O câncer não é uma doença que existe pelo que comemos, bebemos ou respiramos. Existe porque é genético, nos falam muito que o câncer existe porque guardamos rancores… se fosse assim, conheço muitos que já estariam do outro lado.

Eu quero que todos possam ajudar alguém mais uma vez, oferecer comida, compartilhar alegria, compartilhar isso que eu mencionei: informar a uma amiga, prima, irmã, avó, porque todos nós perdemos mulheres e homens valiosos por causa dessa transição do nosso câncer. E digo nosso porque Patrícia Reyes Spindola e eu transitamos ao mesmo tempo. Foram também os mesmos meses que transitou (Alonso) Lujambio, por exemplo, os mesmos meses que transitaram outras pessoas e hoje, nós somos uma presença e eles, uma ausência, já não estão conosco fisicamente. O que me dá mais medo é quando você está transtando por esse labirinto e percebe que os outros (na mesma situação) estão morrendo. É uma questão de morte. Descobrir a doença cedo faz toda a diferença. E temos que conscientizar, nós… todas aquelas que são comunicadoras, que estão nas rádios, que possuem um microfone, que estão na televisão.

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Sei que falamos ao vazio, porque quando dizemos que alguém tem câncer logo pensamos “Ah, pobrezinho, ou…pobrezinha, tem câncer! Tomara que não morra” E nós pensamos que nunca vai acontecer com a gente, jamais. Acontece que sim, isso acontece… e um dia ou outro o doutor pode nos dizer “Você tem câncer!” e você responde… “Não, sou virgem” (signo). Isso pode acontecer a qualquer um! A úncia coisa que peço a vocês é que se reunam com os seus e os façam saber sobre essa campanha. Agradeço a Estée Lauder, Aeromexico, Grupo Expansión, Pedro Torres, às minhas amigas, companheiras e todos os que se dedicaram para que nesse mês, outubro, sejamos mais conscientes. Temos que cuidar um dos outros, isso nos fará melhor, porque sabemos amar e compartilhar.

Do que podemos abrir mão? Dinheiro, para que muitas mulheres possam se curar. Peçam a todos e a todas, porque estamos falando de câncer de mama, os homens também precisam se cuidar e nós, mulheres, também. Nós precisamos tocar nossos seios e eles, os testículos. Agradeço a todos infinitamente por me darem a oportunidade de estar aqui em meu nome, ao de Patricia Reyes Spíndola, ao nom de todas que sobreviveram ao câncer e de todas que já não estão e que foram nosso espelho, nosso exemplo de força e vontade de seguir adiante. Pelo amor e alegria que compartilhamos hoje, digamos a todas que se toquem e que sempre se consultem. Porque detectar o câncer cedo faz a diferença entre sorte e morte, e o que queremos é viver, mesmo que as vezes não saibamos que estamos realmente vivos. Precisamos aproveitar a vida, revivê-la, nos abraçar, nos tocar!

Obrigada a todos e a cada um de vocês por tornar isso possível, por sua força, presença, dinheiro e trabalho. Obrigada, por estar. Por ajudar neste sofrimento de tantas mulheres e tomara que essa noite seja de muitos corações, almas e seios, para que possamos sair adiante, todos juntos…porque merecemos. Muito obrigada.

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